O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu quando concluía seu terceiro discurso perante uma reunião conjunta do Congresso e reafirmava os fortes laços entre Israel e os Estados Unidos.. Imagem ilustrativa. Foto Crédito: Openverse.
Um protesto coordenado transformou o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas em cenário de uma demonstração política histórica nesta sexta-feira (26). Delegações de diversos países, incluindo a brasileira, levantaram-se simultaneamente e retiraram-se da sala no exato momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subia ao púlpito para seu discurso. A ação, combinada previamente entre as representações diplomáticas, representou uma resposta coletiva aos quase dois anos de ataques israelenses na Faixa de Gaza, que já causaram mais de 60 mil vítimas.
A saída em massa deixou o auditório principal da ONU significativamente esvaziado, com a presença majoritária de países como Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália. O contraste visual entre as delegações ausentes e as poucas que permaneceram criou um cenário emblemático para o discurso do líder israelense, que precisou ser precedido pelo pedido formal de “Ordem na sala!” por parte do mestre de cerimônias.
Diante da plateia reduzida, Netanyahu manteve o tom confrontador ao declarar que não aceitará a criação de um Estado Palestino e prometeu “terminar o serviço” em Gaza. Em afirmações que ecoaram no salão parcialmente vazio, o primeiro-ministro negou que seu exército esteja matando civis e caracterizou o conflito como uma batalha em defesa do Ocidente, argumentando que os inimigos de Israel representam uma ameaça global.
O protesto silencioso, porém eloquente, reflete o crescente isolamento diplomático de Israel no cenário internacional e a insatisfição de numerosas nações com a continuidade das operações militares em território palestino. A cena também evidencia a profundidade das divisões geopolíticas contemporâneas, materializadas no gesto coordenado de abandonar a sala como forma de repúdio às políticas israelenses.

