Imagens transmitidas por integrantes da flotilha no momento em que militares de Israel atacam. Foto Crédito: Freedom Flotilla Coalition
Em uma ação militar realizada na madrugada desta quinta-feira (1º), forças israelenses interceptaram em águas internacionais a Flotilha Global Sumud, uma missão pacífica composta por cerca de 50 embarcações que transportava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. De acordo com o Movimento Global a Gaza, organizador da iniciativa, cerca de 443 voluntários de 47 países foram capturados, incluindo pelo menos 15 cidadãos brasileiros. O movimento classificou a operação como um “sequestro ilegal”, por violar o direito internacional que garante a liberdade de navegação em águas internacionais, e denunciou a falta de informações sobre o paradeiro e a condição dos detidos.
Entre os brasileiros confirmados como capturados estão a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL-SP), e os ativistas Thiago de Ávila, Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle Da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri e Lucas Farias Gusmão. A situação de outros dois brasileiros, Miguel Viveiros de Castro e João Aguiar, permanece desconhecida. Os organizadores perderam contato com as embarcações Catalina e Mikeno, nas quais eles estavam, e exigem que Israel confirme imediatamente seu paradeiro e condição de saúde.
O governo brasileiro emitiu um comunicado oficial condenando nos mais fortes termos a interceptação ilegal e a detenção arbitrária dos ativistas. O Itamaraty destacou que a ação, por ocorrer em águas internacionais, constitui uma grave violação ao direito marítimo internacional, em particular à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O governo deplorou a ação militar israelense, que põe em risco a integridade física de manifestantes pacíficos, e afirmou que a segurança dos detidos passa a ser de responsabilidade de Israel. O Brasil exige a libertação imediata de todos os cidadãos brasileiros e demais defensores de direitos humanos, e responsabilizará Israel por quaisquer atos ilegais ou violentos cometidos contra a flotilha.
Além de exigir a libertação, o Brasil conclama a comunidade internacional a pressionar pelo fim do bloqueio israelense à Faixa de Gaza, que configura uma violação do direito internacional humanitário. O Itamaraty notificou formalmente o Ministério das Relações Exteriores de Israel sobre sua inconformidade e exige o pleno acesso consular aos detidos, conforme estabelece a Convenção de Viena sobre Relações Consulares. Enquanto as famílias dos ativistas enfrentam horas de angústia e desespero à espera de notícias, a embaixada brasileira em Tel Aviv, cujos serviços consulares foram temporariamente interrompidos devido a um feriado local, trabalha para prestar a assistência cabível e garantir a segurança e o retorno dos nacionais.

