Grupo de ativistas a bordo da Conscience, uma das nove embarcações interceptadas por Israel. Foto Crédito: Freedom Flotilla/Divulgação.
Uma nova onda de críticas internacionais está atingindo Israel, após a interceptação – hoje – da segunda flotilha humanitária destinada à Faixa de Gaza. A operação naval foi realizada em águas internacionais, a cerca de 200 km da costa de Gaza, reforçando o bloqueio à região e aprofundando as tensões diplomáticas em escala global. A flotilha internacional partiu da Itália no final de setembro, sob coordenação de coalizões humanitárias como a “Flotilha da Liberdade” e o projeto “Road to Gaza”. Reunindo cerca de 140 participantes, entre médicos, jornalistas, parlamentares e ativistas de países como Canadá, França, Austrália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Nova Zelândia, Tunísia, Bélgica, Dinamarca e Islândia, O comboio mobilizou seis embarcações transportando mantimentos críticos e cerca de 95 mil euros (cerca de 600 mil reais) em equipamentos médicos destinados aos hospitais de Gaza. O objetivo era fornecer suprimentos destinados a vítimas de conflitos e ao sistema de saúde colapsado da região.
Após ser interceptada, a flotilha foi levada a porto israelense, onde todos os ativistas foram detidos para posterior deportação. Segundo autoridades israelenses, os participantes estavam em segurança e foram tratados conforme os procedimentos definidos pelo país.
Indignação internacional
A reação foi imediata. Organizações responsáveis pela flotilha denunciaram o que classificam como “pirataria” e “violação do direito internacional”, alegando que as embarcações não apresentavam qualquer ameaça militar. O governo da Turquia condenou a ação ao qualificá-la como “ato de terrorismo”. O grupo Hamas, por sua vez, destacou “abuso humanitário” e “pirataria internacional”. Organizações humanitárias e defensores dos direitos humanos exigem explicações sobre o destino da carga e das equipes, que navegavam sob normas diplomáticas e humanitárias internacionais.
Novo capítulo em crise humanitária
Esta foi a segunda flotilha interceptada por Israel apenas neste mês (a Flotilha Global Sumud foi interceptada em 1º de outubro), evidenciando o endurecimento das políticas de bloqueio à Faixa de Gaza e ampliando o debate mundial sobre o direito à assistência humanitária em áreas de conflito. As imagens e relatos sobre a interceptação continuam repercutindo, pressionando governos e entidades de todo o mundo para uma resposta mais incisiva frente à crise humanitária na região. Ao mesmo tempo, as coalizões envolvidas prometem seguir mobilizando missões até que os insumos necessários cheguem à população palestina, que segue enfrentando grave carência de recursos.
Brasileiros estão voltando para casa

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou na manhã de ontem, em Brasília, que os 13 brasileiros que integravam a Flotilha Global Sumud, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), foram conduzidos até a fronteira com a Jordânia e estão livres das autoridades israelenses. A liberação ocorre exatamente no dia em que completam dois anos do início da escalada de violência na guerra em Gaza.

“Diplomatas das embaixadas em Tel Aviv e em Amã receberam os ativistas que estão, nesse momento, sendo transportados para a capital jordaniana em veículo providenciado pela embaixada brasileira naquele país”, informou – por meio de nota – o Itamaraty.
Além da deputada, integram o grupo Thiago Ávila, Bruno Gilga, Lisiane Proença, Magno Costa, Mariana Conti (vereadora da cidade de Campinas, SP), Ariadne Telles, Mansur Peixoto, Gabriele Tolotti, Mohamad El Kadri, Lucas Gusmão, João Aguiar e Miguel Castro.

