Foto Crédito: Danielle Barnes/Unsplash.
Doença silenciosa é responsável por cerca de 200 mil mortes anuais no país; prevenção deve começar na infância, mas intervenções na maturidade também impactam na qualidade de vida
A osteoporose, doença que enfraquece os ossos e aumenta significativamente o risco de fraturas, é um problema de saúde pública subestimado no Brasil. Dados da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 10 milhões de pessoas convivem com a condição, mas apenas 20% têm ciência do diagnóstico. A doença é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano no país, frequentemente como consequência de fraturas graves, como a do fêmur.
No Dia Mundial e Nacional de Combate à Osteoporose, celebrado neste 20 de outubro, médicos e especialistas em saúde pública reforçam a urgência de ampliar a conscientização. A geriatra Dra. Isadora Crosara, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica que a base do problema é construída décadas antes de suas manifestações clínicas.
“A osteoporose é uma redução da densidade e da microestrutura do osso, que o torna mais frágil e suscetível a fraturas. Com o envelhecimento, ocorre uma perda natural dessa massa óssea, mas hábitos saudáveis podem retardar esse processo. No caso das mulheres, a menopausa acelera essa perda devido à queda do estrogênio, hormônio que protege os ossos”, detalha a médica.
Prevenção: Uma Jornada que Começa na Juventude
A médica ressalta que o pico de massa óssea é construído principalmente até o final da adolescência. “A reserva de massa óssea adquirida na infância e adolescência será determinante para a saúde óssea ao longo da vida”, afirma. No entanto, ela é enfática ao dizer que “nunca é tarde para cuidar da saúde óssea”, e que intervenções na fase adulta e na terceira idade são cruciais para desacelerar a perda e prevenir fraturas.
A alimentação é um dos pilares centrais da prevenção. “O leite e seus derivados são as principais fontes de cálcio na alimentação e possuem excelente absorção pelo organismo. Além disso, o alimento também fornece proteínas, que ajudam a manter a massa muscular, fundamental para a estabilidade corporal e para prevenir quedas”, explica a geriatra.
O leite de “caixinha” ajuda?
Presente na maioria dos lares brasileiros, o leite UHT, aquele vendido em caixinhas e que pode ficar meses na prateleira sem abrir, muitas vezes gera dúvidas nos consumidores. Afinal, o que significa esse processo? Ele usa conservantes? Perde nutrientes? De acordo com especialistas em nutrição e tecnologia de alimentos, as respostas são mais simples – e positivas – do que se imagina.
O leite UHT é efetivamente recomendado como parte da prevenção e minimização da osteoporose, já que é uma fonte importante de cálcio e vitamina D, nutrientes essenciais para a saúde óssea em todas as idades, especialmente em idosos. Diversos estudos mostram que o leite UHT, assim como outros tipos de leite, mantém sua capacidade de fornecer cálcio de alta biodisponibilidade, sendo fundamental para a formação, manutenção e redução da perda de massa óssea, e diminuindo assim o risco de fraturas.
No entanto, os especialistas ressaltam que a prevenção da osteoporose depende de um conjunto de fatores, incluindo:
- Consumo diário de leite e derivados para alcançar a ingestão recomendada de cálcio.
- Exposição regular ao sol para síntese de vitamina D.
- Prática regular de atividade física, especialmente exercícios com impacto ou de resistência.
- Manutenção de hábitos saudáveis, evitando consumo excessivo de álcool e tabagismo.
Portanto, o leite UHT pode integrar uma estratégia eficaz de prevenção da osteoporose, mas não deve ser visto como única solução; trata-se de um alimento parceiro no contexto de um estilo de vida saudável e equilibrado.

