Crédito da foto: David Sidhom/Unsplash
Moradores de favelas e comunidades urbanas brasileiras, que somam 16,39 milhões de pessoas vivendo em mais de 12 mil assentamentos precários, estão entre os mais expostos a enchentes, deslizamentos e ondas de calor agravados pela crise climática. Em resposta a esse cenário, um projeto internacional liderado pela Universidade de Glasgow, no Reino Unido, busca reduzir os impactos do clima sobre a saúde e o bem-estar dessa população em Curitiba (PR), Natal (RN) e Niterói (RJ), com financiamento superior a R$ 14 milhões da fundação britânica Wellcome Trust.
O projeto PACHA (Participatory Analytics for Climate-Health Adaptation in Disadvantaged Urban Communities in Brazil) será desenvolvido em Laboratórios Urbanos Participativos que reúnem pesquisadores, órgãos públicos e associações de moradores para produzir evidências que orientem políticas de adaptação climática. A iniciativa articula quatro instituições brasileiras: a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), o Centro de Integração de Dados em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CIDACS/Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Segundo o Censo 2022, 8,1% da população brasileira vive em favelas e comunidades, em geral em áreas com infraestrutura insuficiente, sujeitas a alagamentos, encostas instáveis e altas temperaturas. Nessas regiões, a combinação de desigualdade social, urbanização precária e eventos climáticos extremos aumenta o risco de adoecimento, perdas materiais e mortes.
Para Paulo Nascimento, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o projeto pretende fortalecer a capacidade de adaptação às mudanças climáticas com foco específico na saúde de moradores de favelas e comunidades urbanas. “A ideia é integrar a geração cidadã de dados à análise de grandes bases nacionais, permitindo formular políticas públicas que considerem de forma mais precisa as desigualdades sociais e ambientais”, afirma o pesquisador.
As equipes irão integrar dados climáticos e de saúde para mapear vulnerabilidades de grupos de diferentes gêneros, raças e faixas etárias, transformando esses diagnósticos em ações concretas de adaptação e promoção da saúde nos municípios.

