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Rodger Githens, de 48 anos, ex-professor associado da Universidade do Pacífico (University of the Pacific), em Stockton, Califórnia, EUA, foi condenado nesta sexta-feira (24) a 222 meses de prisão – pouco mais de 18 anos e meio – e a dez anos de liberdade supervisionada, segundo comunicado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ele também deverá pagar multa de 75 mil dólares, com valor de restituição às vítimas a ser definido posteriormente.
Githens foi considerado culpado por um juiz federal em 1º de maio, após julgamento sem júri, pelos crimes de tentativa de aliciamento de menor e por distribuir e receber material de abuso sexual infantil.
O caso
Segundo o Departamento de Justiça, em março de 2023 Githens iniciou contato, por um aplicativo de relacionamento, com um perfil controlado por um agente disfarçado da polícia federal americana (FBI). Ele rapidamente sugeriu migrar a conversa para um aplicativo de mensagens que considerava mais seguro. Nas conversas seguintes, relatou ter pensamentos voltados a crianças e chegou a discutir, por diversas vezes, a possibilidade de viajar para encontrar o agente disfarçado e uma sobrinha fictícia de 7 anos apresentada por ele.
Em abril de 2023, agentes federais cumpriram um mandado de busca na residência de Githens e apreenderam diversos dispositivos eletrônicos. Nos aparelhos, foram encontradas conversas em aplicativo de mensagens nas quais ele trocava vídeos de abuso sexual contra crianças pequenas.
Carreira acadêmica e reação da universidade
À época de sua prisão, em abril de 2023, Githens era professor associado na Universidade do Pacífico, instituição privada localizada em Stockton, onde lecionava na área de desenvolvimento de recursos humanos e liderava um programa acadêmico voltado à inovação organizacional. Ele também havia cursado disciplinas de pós-graduação em estudos religiosos em um seminário teológico.
A universidade colocou o professor em licença administrativa por prazo indeterminado no mesmo dia em que soube do caso, por meio de uma pergunta de um jornalista, e afirmou publicamente não ter recebido qualquer indício de que os atos ilegais tivessem envolvido a instituição ou suas dependências. Ainda assim, a universidade anunciou a abertura de uma investigação externa independente sobre o caso.
A resposta institucional gerou críticas de parte da comunidade acadêmica na época: uma petição pública, movida por alunos e outros membros ligados à universidade, chegou a pedir a demissão imediata de Githens, classificando como insuficiente a medida de apenas afastá-lo administrativamente enquanto o processo corria na Justiça.
Desdobramentos
O caso foi conduzido pelo escritório do FBI em Fresno, com apoio do Departamento de Polícia de West Sacramento, e faz parte do Project Safe Childhood, iniciativa nacional lançada em 2006 pelo Departamento de Justiça dos EUA para combater a exploração sexual infantil, reunindo recursos federais, estaduais e locais para localizar, prender e processar pessoas que exploram crianças pela internet.
Nota: este é um tema sensível que trata de exploração sexual infantil. Caso você ou alguém que você conheça tenha vivido uma situação de abuso, é possível buscar apoio em canais especializados, como o Disque 100 (Direitos Humanos) ou o CVV (188), no Brasil.

