Robô Tribar pode vencer terrenos difíceis. Reprodução You-Tube. Crédito: Johnson et al., Nature Machine Intelligence.
Um robô rolante batizado Tribar, capaz de sobreviver a impactos severos e continuar se movendo em terrenos irregulares, é apresentado em estudo publicado na Nature Machine Intelligence. A pesquisa, conduzida por Rebecca Kramer-Bottiglio e colegas, pode abrir caminho para robôs voltados a ambientes hostis ou de difícil acesso – de superfícies planetárias a zonas de desastre.
O Tribar pertence à família dos robôs de tensegridade: estruturas leves e flexíveis, formadas por hastes rígidas suspensas numa rede de cabos elásticos, capazes de absorver grandes cargas externas. Esse tipo de construção já era cogitado para futuros rovers planetários e plataformas de resposta a desastres, mas conciliar resistência a impactos com controle autônomo depois do choque era, até aqui, um obstáculo em aberto.
O robô usa tendões sensores esticáveis e sensores internos de movimento para estimar sua própria forma e orientação em tempo real. Nos experimentos, ele se deslocou sobre grama, gelo, pedregulhos e areia, subiu rampas de até 28 graus e percorreu trajetos retos, curvos e triangulares. Em um dos testes, foi solto de uma ponte a 5,7 metros de altura, caiu sobre asfalto – a maior queda já registrada para um robô de tensegridade, segundo os autores – e seguiu se movendo normalmente depois do impacto.
Para os pesquisadores, essa combinação de resistência a impacto, sensoriamento e controle autônomo pode permitir que robôs futuros alcancem lugares hoje inacessíveis a equipamentos convencionais, como penhascos, crateras ou áreas de desastre. Os autores propõem o Tribar como referência para o desenvolvimento de robôs de alta sobrevivência.
Uma inteligência com endereço
Casos como o do Tribar chamam atenção por um motivo que vai além da engenharia: são máquinas físicas e localizáveis, que podem ser encontradas depois de uma queda de 5,7 metros, examinadas e desligadas. É um tipo de autonomia bem diferente daquela que hoje concentra o debate público sobre inteligência artificial – voltado a sistemas que rodam em servidores distribuídos, sem forma reconhecível nem fronteira fixa, e que por isso escapam com mais facilidade das estruturas legais pensadas para objetos com endereço.
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