Campanha contra o racismo e o fascismo na Austrália e convocação de dia de ação por Camp Sovereignty./Reprodução Facebook Common Ground.
Certas de que o ataque ao Camp Sovereignty expôs tanto a vulnerabilidade dos povos aborígenes australianos como o avanço de ameaças neonazistas globais, milhares de pessoas vêm se mobilizando internacionalmente em defesa da segurança e dos direitos indígenas em Melbourne, Austrália. Ao mesmo tempo, incertezas persistem quanto à resposta policial e à efetiva proteção do local sagrado, alvo de violência extrema em agosto de 2025.
Ataque provocou comoção
Fontes internacionais relatam que, no dia 31 de agosto, cerca de 50 neonazistas invadiram o acampamento sagrado Camp Sovereignty, no Kings Domain, em Melbourne — território cerimonial e símbolo ancestral para os povos Kulin. Os invasores rasgaram bandeiras, profanaram a fogueira ancestral e agrediram mulheres e anciãos, causando ao menos quatro feridos, dois deles hospitalizados por ferimentos graves na cabeça. Durante o ataque, gritavam “white power” (“poder branco”) e ofensas racistas, escancarando motivações supremacistas e xenofóbicas.
A chegada tardia da polícia gerou revolta: agentes só apareceram após a fuga dos agressores e, segundo informações, utilizaram spray de pimenta contra vítimas e manifestantes indígenas, não contra os neonazistas. Não houve prisões imediatas e autoridades hesitaram em classificar o episódio como crime de ódio, suscitando críticas e alertas sobre racismo institucional.
Manifestações globais
Em reação ao ataque, lideranças indígenas entraram em estado de alerta permanente, criaram patrulhas de proteção em torno do acampamento e convocaram o Dia Nacional de Ação para manter a mobilização. Mais de 3 mil pessoas participaram de eventos de solidariedade, reforçando a defesa e recuperação do espaço sagrado. Apesar das prisões posteriores de membros da rede neonazista, restam temores de novas invasões e de insuficiência do policiamento formal.
O episódio impulsionou campanhas mundiais em defesa dos aborígenes australianos, com apelos por verdade, reconhecimento dos direitos e proteção efetiva contra o avanço de grupos racistas. A mobilização busca não só segurança física, mas o respeito à soberania e à memória ancestral dos povos indígenas de toda Austrália.
A crise em Camp Sovereignty evidencia tanto o impacto global das ameaças extremistas como a força das redes de solidariedade internacional, que permanecem vigilantes e mobilizadas em favor dos direitos e da dignidade aborígene.

