COP 30 - Divulgação.
Enquanto líderes globais e especialistas em clima se reúnem em Belém para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), decisões que impactam o dia a dia das pessoas entram em pauta: combate à desigualdade, proteção contra desastres, justiça social e segurança alimentar. O Brasil, anfitrião do evento (que começou efetivamente hoje, 10), busca unir o mundo em torno de compromissos para enfrentar essa crise e garantir que ninguém fique para trás. De acordo com os organizadores, as decisões tomadas em Belém dizem respeito à vida diária de toda a humanidade. Seja para proteger quem mais precisa diante de desastres climáticos, garantir comida na mesa ou avançar em justiça social, o futuro do clima global começa pelas ações de hoje – e passa por compromissos firmados agora, no seio da floresta amazônica.
Da comida ao clima
“A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura da COP30 em Belém, ao lado de chefes de Estado e representantes de organizações internacionais. Lula também destacou: “Devemos a nossos filhos e netos a oportunidade de viver em uma Terra onde seja possível sonhar” (gov.br/planalto, 10/11/2025).
Fenômenos climáticos extremos, como o tornado que atingiu o Paraná na última sexta-feira, provocam destruição, mortes e maior vulnerabilidade social. A partir dessa premissa, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse nesta segunda-feira (10) que fome, pobreza e crise climática devem ser combatidas de forma conjunta.
A agenda da COP30 e a busca por soluções
A COP30 começou após acordo entre as delegações sobre uma Agenda de Ações, agora com 111 itens prioritários a serem debatidos até o fim da conferência, em 21 de novembro. Entre os desafios, estão definir novas metas para financiamento climático, discutir a adaptação necessária para países mais vulneráveis e avançar na transição energética.
De acordo com o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, o espírito de “mutirão” – termo indígena brasileiro para ação coletiva – simboliza o esforço conjunto de países em busca de soluções globais.
Principais temas em discussão
- Transição para longe dos combustíveis fósseis: “Apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos ter um mapa do caminho para superar essa dependência”, disse o presidente Lula, apontando a necessidade de o mundo se libertar do petróleo, gás e carvão.
- Financiamento climático: Com a herança de acordos anteriores considerados insuficientes, a conferência discute como ampliar o financiamento – especialmente para países mais pobres e vulneráveis. A meta proposta é chegar a 1,3 trilhão de dólares até 2035.
- Adaptação e resiliência: Diplomatas negociam indicadores para medir avanços em setores como abastecimento de água, saúde, agricultura e combate à pobreza – aspectos diretamente ligados ao cotidiano das pessoas
Povos indígenas, floresta amazônica e agricultura familiar
Segundo Lula, “o bioma mais diverso da Terra é a casa de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas”. O evento também deu protagonismo à agricultura familiar e aos povos tradicionais, considerados essenciais para garantir alimentos e conservar o meio ambiente, como ressaltou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias.
Declaração de Belém: combate à fome e à pobreza é central
Durante a Cúpula do Clima, 43 países e a União Europeia firmaram a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, que coloca a proteção social e a segurança alimentar como prioridades globais.

