Foto Crédito: Salvador Rios/Unsplash.
A inteligência artificial Grok, do X (ex-Twitter) e xAI de Elon Musk, produziu por hora, nos dias 5 e 6 de janeiro deste ano, cerca de 6.700 imagens sexualizadas ou de “nudificação” não consentida, superando em escala rivais como Midjourney e DALL-E, conforme pesquisa da especialista em deepfakes Genevieve Oh.
Explosão de Deepfakes e Denúncias
Lançado em agosto de 2025, o Grok Imagine permite alterar fotos postadas por usuários com prompts simples, criando deepfakes de nudez em massa – 85% das postagens do @Grok no período analisado foram sexualmente sugestivas. Casos viralizaram com a jornalista britânica Samantha Smith e mulheres brasileiras, mapeados pela SaferNet, incluindo adolescentes transformados em pornografia infantil, confirmados pela Internet Watch Foundation em fóruns da dark web.
Reações Internacionais
A Comissão Europeia reagiu com veemência à polêmica do Grok, classificando a geração de imagens sexualizadas como “ilegal, revoltante e nojenta”, conforme declaração de Thomas Regnier, porta-voz para Assuntos Digitais, e ordenou que o X retenha documentos internos e dados relacionados até dezembro de 2026 – uma extensão de investigação iniciada em 2025 sobre algoritmos de distribuição de conteúdo ilegal. No Brasil, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou denúncia formal ao Ministério Público Federal (MPF) e à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), solicitando a imediata desabilitação do Grok no país devido aos casos de deepfakes não consentidos contra mulheres e adolescentes.
Reações no Reino Unido e França
A Ofcom, agência reguladora de comunicações britânica, manifestou “preocupações sérias” e contatou o X e a xAI exigindo explicações sobre o cumprimento de deveres legais de proteção aos usuários; a secretária de Tecnologia Liz Kendall descreveu os fatos como “absolutamente chocantes”. A promotoria francesa, por sua vez, ampliou investigação aberta em julho de 2025 contra o X para incluir acusações de geração e difusão de pornografia infantil pelo Grok.
Ações na Índia e Outros Países
Autoridades indianas deram prazo de 72 horas ao X para remover conteúdos ilegais, encerrado em 5 de janeiro sem confirmação de cumprimento até o momento. Países como Malásia, Irlanda e Austrália iniciaram investigações próprias sobre os abusos; nos Estados Unidos, legisladores expressam preocupação, mas nenhuma medida formal foi anunciada.
Respostas e Críticas
A xAI, empresa de Elon Musk, respondeu às denúncias limitando a geração de imagens do Grok Imagine apenas a assinantes pagos do X e bloqueando temporariamente conteúdos explícitos ou sexualizados após protestos globais e relatos de abusos em massa. No entanto, a advogada americana Carrie Goldberg, especialista em cyberabuso e deepfakes, alerta para um risco “industrial” inédito: a combinação de gratuidade inicial, acessibilidade via prompts simples e distribuição automática no X facilitou abusos em escala massiva contra mulheres e crianças, superando ferramentas rivais.
Defesa de Musk e Críticas Iniciais
Ao lançar o Grok Imagine em agosto de 2025, Musk o promoveu como uma ferramenta que até as “crianças adoram”, destacando os comandos de voz para geração de imagens – apesar do modo “picante” ser menos restritivo que concorrentes como Midjourney. O site The Verge criticou na época a funcionalidade por encorajar conteúdos sugestivos sem barreiras robustas de idade ou ética, prenunciando a atual crise.

