Alimentação saudável ajuda, mas não substitui o filtro solar e os demais cuidados físicos. Foto Divulgação.
Com a chegada do verão, aumenta o tempo de exposição ao sol e, com ele, o risco de danos à pele. Especialistas lembram que a primeira linha de defesa continua sendo o uso correto de protetor solar, aliado a roupas, chapéus, óculos escuros e à redução da exposição entre 10h e 16h. A alimentação, porém, pode funcionar como um reforço discreto dessa proteção, ao oferecer nutrientes com ação antioxidante que ajudam o organismo a lidar melhor com os efeitos dos raios ultravioletas.
O câncer de pele está entre os tipos de câncer mais frequentes no mundo, e uma parte importante desses casos se relaciona à exposição excessiva ao sol. Diante desse cenário, cresce o interesse em estratégias complementares de fotoproteção, incluindo o papel da dieta. Dermatologistas e nutrólogos, no entanto, são unânimes em um ponto: nenhuma vitamina, cápsula ou alimento substitui o filtro solar e os demais cuidados físicos.
Nutrientes como vitamina C, vitamina E, carotenoides (como betacaroteno, licopeno e luteína), polifenóis e ômega‑3 ajudam na defesa antioxidante do corpo e, consumidos regularmente em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, oleaginosas e peixes, contribuem para uma pele mais resistente aos danos ambientais. Estudos indicam que dietas ricas nesses compostos podem reduzir discretamente a vermelhidão após exposição ao sol e apoiar a regeneração celular, mas o efeito é lento, depende de semanas ou meses de consumo e não impede queimaduras se a pessoa se expuser sem proteção adequada.
Além dos alimentos, alguns extratos, como Polypodium leucotomos, astaxantina e picnogenol, vêm sendo estudados como fotoprotetores orais. Ensaios clínicos sugerem que eles podem diminuir a intensidade de reações da pele aos raios UV e melhorar parâmetros como vermelhidão e marcadores de dano oxidativo, mas essas evidências ainda são consideradas complementares e não justificam o uso indiscriminado, especialmente sem orientação individualizada.
Para pessoas com histórico de lesões de pele, fototipos muito claros ou exposição intensa e repetida ao sol, médicos podem indicar, em casos selecionados, estratégias farmacológicas adicionais, como nicotinamida em doses específicas, sempre dentro de um plano amplo de prevenção e acompanhamento. Já para a população em geral, a recomendação permanece simples e robusta: construir um padrão alimentar variado e pouco ultraprocessado, manter o protetor solar como hábito diário, evitar exageros de sol e procurar avaliação dermatológica regular, especialmente diante de manchas ou sinais novos ou que mudam de aspecto. Dessa combinação de cuidados nasce a real proteção de longo prazo para a pele.

