Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, discute situação da Venezuela em reunião da Celac. Foto Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou a operação militar que capturou Nicolás Maduro e anunciou que Washington vai dirigir a transição na Venezuela, condicionando a permanência da vice Delcy Rodríguez no cargo desde que ela “faça o que queremos”. Trump justificou a ação tanto por acusações de narco‑terrorismo quanto pelo interesse nas maiores reservas de petróleo do mundo. Planejado durante meses por agentes da CIA e forças especiais, o ataque derrubou o líder venezuelano sem consulta prévia ao Congresso americano e abriu um debate internacional sobre legalidade, ocupação e disputa por recursos energéticos.
Como foi a operação
Agentes da CIA se infiltraram na Venezuela em agosto, monitorando hábitos, deslocamentos e rotinas de segurança de Maduro com apoio de drones furtivos e informações de uma fonte interna no governo venezuelano. Em Kentucky, militares construíram uma réplica do complexo presidencial para treinar comandos da Força Delta, que ensaiaram repetidamente a invasão.
Na madrugada de ontem, 3, uma ofensiva cibernética derrubou a energia em amplas áreas de Caracas, abrindo caminho para cerca de 150 aviões, helicópteros e drones americanos bombardearem radares e defesas aéreas antes de desembarcar as tropas em uma base considerada o coração militar do regime. Em poucos minutos, os comandos explodiram a entrada do abrigo de Maduro, o capturaram e o retiraram do país; ao menos 40 venezuelanos, entre militares e civis, morreram, e vários soldados americanos ficaram feridos, sem registro de mortes entre os invasores.
Julgamento e justificativa legal
Maduro foi levado de helicóptero para um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York, onde responde a uma acusação federal de quatro pontos por tráfico de cocaína, que também inclui sua esposa, o filho do casal e altos funcionários de seu governo. A Casa Branca apresenta a operação como ação de aplicação da lei transnacional, não como invasão militar, embora especialistas em direito internacional apontem que o uso da força sem consentimento, autodefesa ou autorização do Conselho de Segurança da ONU contraria a Carta das Nações Unidas.
Petróleo e “tutela” sobre a transição
Trump afirmou que a nacionalização do petróleo venezuelano “roubou” direitos de empresas americanas e classificou a política energética de Caracas como “fracasso total”, lembrando que a produção atual é cerca de um quarto do nível dos anos 1990. Ele prometeu que companhias dos EUA irão investir bilhões para recuperar a infraestrutura petrolífera, lucrando “para os venezuelanos e para nós mesmos”, em um arranjo que críticos veem como reconstrução guiada pelos interesses energéticos de Washington.
Na política, o governo americano evita chamar o cenário de ocupação e fala em algo próximo a uma “tutela”: os Estados Unidos desenhariam a visão de como a Venezuela deve ser administrada, e o governo interino poria em prática essa visão sob ameaça de novas ações militares. Delcy Rodríguez assumiu formalmente como presidente interina, chama os EUA de invasores ilegais, insiste que Maduro é o “único presidente” e, ainda assim, ouviu de Trump que poderá permanecer no cargo enquanto obedecer às exigências de Washington.
Reações internas e externas
Governos como Rússia, China, Cuba, Brasil e México condenaram a operação como violação da soberania venezuelana e golpe disfarçado, enquanto o secretário‑geral da ONU alertou para um “precedente perigoso” e levou o tema ao Conselho de Segurança. Na Europa, líderes adotaram tom mais ambíguo: criticaram o legado de Maduro, mas evitaram uma condenação frontal da intervenção americana.
Neste domingo, 4, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira (foto), participou de reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), convocada para discutir a situação no país vizinho. 
A Celac é um mecanismo intergovernamental de diálogo e acordo político que inclui permanentemente 32 países da América Latina e do Caribe. Funciona ainda como um fórum regional com todos os países da América Latina e do Caribe e aspira ser uma voz singular e estruturada na tomada de decisões políticas e na cooperação em apoio aos programas de integração regional.
Dentro da Venezuela, apoiadores do chavismo foram às ruas exigir o retorno de Maduro, enquanto parte da oposição hesitou em comemorar diante do risco de ocupação prolongada e aumento da instabilidade. Em contraste, comunidades venezuelanas na Flórida celebraram a captura com buzinaços e festas improvisadas, ao mesmo tempo em que, nos Estados Unidos, democratas denunciaram o risco de nova aventura intervencionista e setores da direita trumpista questionaram por que um presidente “America First” decidiu depor um líder estrangeiro e se comprometer a “governar” outro país.

