Floresta Amazônica. Foto Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
Um relatório internacional coordenado pelo renomado sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (10), durante a inauguração do Pavilhão da Ciência Planetária da COP30, em Belém (PA). O documento contou com a participação direta de cientistas brasileiros de referência, como Regina Rodrigues e Marina Hirota, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB).
O relatório 10 New Insights in Climate Science 2025/2026 traz contribuições de 70 pesquisadores de 21 países, sendo o Brasil um dos destaques tanto na elaboração quanto na análise dos impactos regionais da crise do carbono. Segundo Regina Rodrigues, oceanógrafa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que integra o corpo editorial do relatório e participou do lançamento no pavilhão científico, o envolvimento brasileiro foi fundamental na produção de dados relacionados à Amazônia, aos sumidouros naturais de carbono e aos impactos costeiros, e na tradução do conteúdo para demandas políticas brasileiras.
A professora Marina Hirota (UFSC) e a pesquisadora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB) também participaram ativamente, reforçando a representação das ciências ambientais do país em um dos documentos que devem subsidiar as negociações internacionais de clima este ano.
O trabalho contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que apoiou diretamente parte das pesquisas e articulação entre instituições brasileiras e internacionais, viabilizando dados, bolsas e infraestrutura para pesquisadores locais e o intercâmbio imprescindível para a produção científica global sobre o tema.
Limites foram ultrapassados
A principal conclusão do relatório é que sumidouros vitais de carbono, como florestas tropicais – especialmente parte da Amazônia brasileira – e os oceanos, estão atingindo limites críticos, absorvendo menos CO₂ do que antes. “O planeta inteiro está apresentando sinais de diminuição na capacidade de absorção de carbono”, alerta Rockström. No hemisfério norte, regiões temperadas, boreais e zonas de permafrost também mostram preocupante tendência de redução de resiliência climática.
Segundo Regina Rodrigues, já há registros de áreas da Amazônia brasileira que deixaram de ser sumidouros e passaram a emitir carbono. O fenômeno, identificado por estudos financiados pela FAPESP e outras agências científicas, evidencia a necessidade de reconhecer a importância dos biomas sul-americanos nas políticas globais de mitigação das mudanças climáticas.
Só reduzir emissões não basta
Mesmo com as melhores atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o relatório estima que as emissões globais devem cair apenas 5% até 2035 – um ritmo muito inferior ao necessário para evitar consequências dramáticas. A recomendação dos cientistas, reforçada por Marina Hirota, é que haja cortes de 5% ao ano, além do desenvolvimento de métodos seguros, sustentáveis e socialmente responsáveis para ampliar a remoção de CO₂ da atmosfera.
O documento foi elaborado a partir de iniciativas da rede Future Earth, Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática. As conclusões visam balizar as negociações políticas durante a COP30 e subsidiar ações práticas de adaptação e mitigação.

