Influenza tem provocado muitos óbitos neste ano. Vacina está atualizada contra as cepas em circulação. Foto Crédito: Governo de São Paulo.
Com a campanha de vacinação contra a gripe em andamento em todo o país, especialistas reforçam que este é o momento de se imunizar contra a influenza e evitar casos graves de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), especialmente entre crianças e idosos. A população pode buscar informações atualizadas sobre a campanha de vacinação contra a gripe nos canais oficiais do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, que divulgam calendários, locais de aplicação e grupos prioritários. No estado de São Paulo, por exemplo, a vacina está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde até 30 de maio para os públicos definidos como prioritários, e a recomendação é que as pessoas não esperem a chegada do inverno ou o aumento ainda maior dos casos para se imunizar.
A vacinação anual contra influenza continua sendo a principal e mais eficaz forma de prevenção da gripe, em um cenário em que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou para a possibilidade de uma temporada respiratória mais precoce ou mais intensa do que o habitual, com circulação simultânea da influenza sazonal e do vírus sincicial respiratório (VSR) nas Américas. No Brasil, o aumento de casos de SRAG por vírus respiratórios vem sendo monitorado desde o início do ano, com crescimento de internações e óbitos associados à gripe em vários estados.
Entre os fatores que explicam a atenção redobrada está a identificação, pela Fiocruz, do subclado K do vírus influenza A (H3N2) no Brasil, uma ramificação genética que já vinha sendo monitorada por autoridades sanitárias internacionais. A detecção ocorre em um contexto de maior circulação do H3N2 em diversos países, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a OPAS a recomendar reforço da vigilância epidemiológica e ampliação da cobertura vacinal.
“A vacinação anual contra a influenza não deve ser vista apenas como uma resposta ao aparecimento de novas variantes, mas como uma estratégia contínua de cuidado com a saúde. Manter o esquema vacinal atualizado contribui para reduzir a circulação do vírus e proteger tanto o indivíduo quanto a sociedade”, afirma a médica sanitarista Melissa Palmieri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações – Regional São Paulo.
Na infância, o impacto da gripe é particularmente preocupante. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que a influenza está entre os principais vírus associados aos casos de SRAG, que podem evoluir com internação e até óbito, sobretudo em crianças pequenas. Estima-se que grande parte das crianças que evoluem para formas graves não estava vacinada, evidenciando o papel direto da imunização na prevenção de complicações. “A gripe não é uma doença leve para crianças. Ela pode evoluir rapidamente para complicações respiratórias graves, internação e até óbito, principalmente nos menores de 5 anos”, destaca a pediatra Anna Dominguez Bohn, que atua em hospitais de referência em São Paulo.
Segundo a especialista, a vacina de 2026 foi atualizada de acordo com a recomendação da OMS para o Hemisfério Sul, conferindo proteção contra as cepas mais recentes em circulação, como H1N1 e H3N2. “A vacinação anual é essencial porque o vírus sofre mutações constantes. A cada ano, a vacina é reformulada para acompanhar essas mudanças e manter a proteção”, explica. Ela lembra que os anticorpos levam cerca de duas semanas para atingir níveis ideais após a aplicação, reforçando a importância de vacinar antes do pico de circulação viral.
No estado de São Paulo, o governo paulista iniciou a campanha de vacinação contra a gripe após registrar 5.801 casos de SRAG por influenza e 401 óbitos. A meta é vacinar ao menos 90% do público-alvo, estimado em 18,8 milhões de pessoas, até 30 de maio. Nesta etapa, têm prioridade idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, profissionais de saúde, professores, povos indígenas, quilombolas, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis ou condições especiais, pessoas com deficiência, população em situação de rua, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, trabalhadores dos correios, trabalhadores portuários, profissionais das forças de segurança e salvamento, Forças Armadas, além de população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.
“A vacinação é a principal medida para evitar o agravamento da doença. Já temos casos graves e óbitos registrados no estado, e é fundamental que o público prioritário compareça às unidades de saúde para se imunizar”, reforça Regiane de Paula, coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Seis dúvidas comuns sobre a vacina contra a gripe
A seguir, algumas das perguntas mais frequentes da população sobre a imunização contra a influenza e respostas baseadas em orientações de órgãos de saúde e especialistas.
1. A vacina é eficaz contra todas as cepas do vírus da gripe?
A vacina contra a gripe é desenvolvida para proteger contra as cepas do vírus influenza que têm maior probabilidade de circular em cada temporada, com base em recomendações internacionais e na vigilância realizada ao longo do ano. O imunizante estimula o organismo a produzir anticorpos específicos contra esses vírus, reduzindo o risco de infecção, quadros graves, internações e mortes.
Como o vírus influenza está em constante mutação e a proteção conferida pelos anticorpos diminui com o tempo, a imunidade não é permanente. Por isso, a OMS e a OPAS recomendam a vacinação anual, com formulações atualizadas para acompanhar as cepas predominantes em cada hemisfério.
2. Posso tomar a vacina se estiver doente ou com febre?
Se a pessoa estiver com febre ou em quadro agudo de doença, a orientação dos serviços de saúde é adiar a vacinação até que haja melhora, para que o sistema imunológico responda melhor ao imunizante e para não confundir sintomas da infecção com eventuais reações à vacina. Em caso de sintomas gripais, são recomendados hidratação adequada, repouso e, se houver piora ou persistência, avaliação médica para definir a conduta e descartar complicações.
3. A vacina contra a gripe pode causar gripe?
Não. As vacinas utilizadas na campanha contra a influenza não contêm vírus vivo capaz de se multiplicar e provocar a doença, e, portanto, não causam gripe. Os efeitos mais comuns após a aplicação são dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção, além de mal-estar leve, que costumam desaparecer em um ou dois dias.
4. Pessoas com imunidade baixa podem se vacinar?
Sim. A vacinação contra a gripe é indicada para pessoas com algum grau de imunossupressão, incluindo pacientes em tratamento oncológico, em uso de corticoides ou outras terapias imunossupressoras e pessoas vivendo com HIV, salvo situações específicas avaliadas pelo médico assistente. Nesses casos, é fundamental seguir a orientação do profissional de saúde quanto ao melhor momento para a aplicação, especialmente durante ciclos de quimioterapia ou tratamentos intensivos, para otimizar a produção de anticorpos e a proteção conferida pela vacina.
5. Se tomei a vacina no ano passado, preciso me vacinar novamente?
Sim. Mesmo quem se vacinou no ano anterior deve receber a dose anual. Isso se deve a dois motivos principais: o vírus influenza muda com frequência, o que leva à atualização periódica da composição da vacina, e a proteção conferida pela imunização e pelos anticorpos naturais diminui ao longo dos meses, exigindo reforço para manter níveis adequados de defesa.
6. Além da vacina, o que mais ajuda a prevenir a gripe?
A vacina é a principal medida de prevenção, mas hábitos cotidianos reduzem a transmissão de influenza e outros vírus respiratórios. Entre eles estão lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel com frequência, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, manter ambientes bem ventilados, evitar aglomerações em locais fechados e reduzir o contato próximo com pessoas com sintomas gripais.
Caso, mesmo com a vacinação e essas medidas, a pessoa apresente febre, tosse, dor no corpo e dificuldade para respirar, é importante procurar atendimento médico o quanto antes. Em muitos casos, antivirais específicos têm melhor eficácia quando iniciados nas primeiras 48 horas de sintomas, o que torna o diagnóstico rápido um componente essencial do tratamento adequado.

