Foto Crédito: Annie Spratt/Unsplash.
Em um mundo onde as tatuagens se tornaram uma forma de expressão cada vez mais comum, uma pergunta persiste: será que essa prática traz riscos graves para a saúde, como o desenvolvimento de câncer? Uma revisão sistemática e meta-análise exploratória, publicada na revista ClinicalMedicine do grupo The Lancet, buscou responder precisamente a essa questão, focando em uma possível ligação com o linfoma, um tipo de câncer do sistema linfático. Os resultados, que analisaram estudos de quase 18.000 participantes, indicam que, atualmente, não existe uma associação estatisticamente significativa entre ter tatuagens e um risco aumentado de desenvolver linfoma.
A Análise que Tranquiliza
A equipe de pesquisadores, liderada pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, reuniu e analisou todos os estudos observacionais relevantes publicados até julho de 2025. A análise combinada dos dados mostrou que as pessoas tatuadas não apresentam uma probabilidade maior de desenvolver linfoma não-Hodgkin – o tipo mais comum de linfoma – quando comparadas com quem não tem tatuagens. Os números são claros: o risco calculado (chamado de odds ratio) foi de 1,01, um valor que indica nenhum aumento ou diminuição do risco. A mesma conclusão se aplicou a subtipos específicos de linfoma, como o linfoma folicular e o linfoma difuso de grandes células B.
Por que a Resposta Ainda Não é a Palavra Final
Apesar dos resultados tranquilizadores, os autores do estudo são cautelosos. Eles destacam que a certeza das evidências é considerada “baixa” devido a limitações na quantidade e qualidade dos estudos disponíveis. As investigações existentes usam metodologias diferentes e não foram feitas especificamente para responder a essa pergunta de forma padronizada. Além disso, a composição das tintas de tatuagem varia enormemente, e os efeitos a longo prazo de muitos dos seus componentes ainda não são totalmente compreendidos pela ciência. Ou seja, a ausência de prova de um risco não é necessariamente a prova definitiva de que ele não existe. São necessários mais estudos de alta qualidade, com um acompanhamento prolongado, para se obter uma resposta final.
O que Isso Significa no Dia a Dia
Para o cidadão comum, esses resultados trazem um alívio considerável. Milhões de pessoas em todo o mundo têm tatuagens, e o estudo sugere que, com base no conhecimento atual, não há motivo para pânico ou para associar a prática a um risco aumentado de linfoma. Essa conclusão ajuda a separar o fato da ficção em um tema que, às vezes, é alvo de alarmismo. No entanto, a decisão de fazer uma tatuagem deve continuar a ser tomada com consciência. Os especialistas lembram que os riscos imediatos e bem conhecidos, como infecções e reações alérgicas, permanecem. Por isso, a escolha de um estúdio de tatuagem com condições higiênicas adequadas e profissionais qualificados é sempre fundamental.
Apesar de não haver relação comprovada com o linfoma, vale lembrar que as tintas para tatuagem contêm muitos componentes químicos, alguns com potencial de causar reações adversas. Essa questão já levou a União Europeia a criar regras para restringir substâncias perigosas em tintas de tatuagem, reforçando a importância de procurar profissionais qualificados e tintas aprovadas pela Anvisa e órgãos internacionais.
A Ciência Continua a Investigar
A pesquisa científica sobre os efeitos das tatuagens na saúde ainda está em estágios iniciais. Este estudo funciona como um ponto de partida crucial, indicando que, até o momento, o sinal de alarme para o linfoma não soou. No entanto, serve também como um apelo para que a comunidade científica continue a investigar essa questão, acompanhando as tendências e analisando os efeitos das diversas composições de tinta. Enquanto isso, as pessoas podem fazer suas escolhas com uma percepção mais clara e informada dos riscos, baseada na melhor evidência disponível.
O que é um linfoma?
Linfoma é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, parte fundamental do sistema imunológico do corpo humano. Ele ocorre quando células dos linfonodos (os “gânglios linfáticos”) começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando tumores. O linfoma pode comprometer o funcionamento do organismo na defesa contra infecções e pode aparecer em várias áreas do corpo, como pescoço, axilas e virilha, ou até em órgãos internos.
Existem dois tipos principais: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não-Hodgkin, sendo este último o mais comum. Os sintomas podem incluir ínguas (caroços) inchadas, suor noturno, febre persistente e perda de peso inexplicada. O tratamento depende do tipo e estágio da doença, podendo envolver quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, transplante de medula óssea.
Embora a causa exata do linfoma nem sempre seja identificada, fatores como predisposição genética, idade avançada, algumas infecções virais e exposição a agentes químicos podem aumentar o risco. O diagnóstico precoce é essencial para o sucesso do tratamento.

