Foto Crédito: Vitaly Gariev/Unsplash.
Muita gente toma o mesmo remédio por anos e acha que, se sempre deu certo, vai continuar igual. Mas, à medida que o corpo envelhece, a forma como ele reage aos medicamentos muda – e isso pode surpreender. A farmacêutica clínica Ghada Ashkar, do sistema de saúde UCLA Health – ligado à Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos –, explica que é comum o organismo passar a responder de outro jeito a um comprimido antigo.
“Pode ser algo que você usa há anos, mas, de repente, passa a reagir de forma diferente”, diz ela. “É importante perceber essas mudanças e contar para o médico.”
O que muda no corpo depois dos 60
Com o passar do tempo, vários órgãos vão ficando mais lentos. Isso vale também para a forma como o corpo lida com remédios.
- O estômago e o intestino costumam demorar mais para digerir e absorver os comprimidos.
- O fígado tem mais dificuldade para “quebrar” as substâncias que vêm nos remédios.
- Os rins nem sempre conseguem eliminar tudo com a mesma eficiência de antes.
Resultado: parte do remédio pode ficar mais tempo circulando no sangue e provocar mais efeitos colaterais, mesmo que a dose não tenha mudado. Ganho ou perda de peso, menos atividade física e outras mudanças típicas da idade também influenciam essa conta.
Quando a lista de remédios fica grande demais
Usar vários medicamentos ao mesmo tempo é cada vez mais comum entre pessoas idosas. Em muitos países, um em cada três idosos toma cinco ou mais remédios todos os dias.
Quanto maior a lista, maior o risco de:
- um remédio atrapalhar o efeito do outro;
- aparecerem tonturas, quedas, confusão, sono excessivo ou outros sintomas que muita gente atribui apenas à idade, mas que podem ser reação a medicamentos.
Revisões médicas mostram que essas reações estão entre as principais causas de internação em pessoas mais velhas.
Sinais de alerta que podem vir dos remédios
Se você começou um remédio novo – ou aumentou a dose de um antigo – e percebeu alguma mudança, vale ligar o sinal vermelho. Procure ajuda se notar, por exemplo:
- confusão, dificuldade para se localizar dentro de casa ou lembrar de coisas simples;
- tontura, sensação de que tudo gira ou de que vai cair;
- sono em excesso ou cansaço fora do comum;
- intestino preso por vários dias;
- boca muito seca;
- pernas, pés ou mãos inchados;
- roxos e sangramentos que aparecem com facilidade;
- mudança brusca de humor ou de sono.
Esses sinais não significam, por si sós, que o remédio está errado. Mas são um motivo importante para conversar com o médico ou o farmacêutico.
Como deixar o uso de remédios mais seguro
Especialistas em envelhecimento recomendam alguns cuidados práticos para quem tem mais de 60 anos e usa remédios todos os dias:
- Leve todos os seus medicamentos às consultas. Mostre comprimidos, frascos, chás, vitaminas e produtos “naturais”. Assim o médico vê a lista completa.
- Peça uma revisão pelo menos uma vez por ano. Pergunte se há algo que pode ser suspenso, trocado ou ter a dose reduzida.
- Informe sempre que outro médico prescrever algo novo. Isso evita que você tome remédios com ações parecidas ou que se atrapalham entre si.
- Mantenha uma lista atualizada em papel ou no celular, com nome de cada remédio, dose e horário. Isso ajuda em emergências e nas consultas.
O farmacêutico da farmácia onde você costuma comprar também pode ajudar:
“Cada vez que for pegar um medicamento novo ou um genérico diferente, é uma oportunidade para perguntar se ele combina com o que você já toma e relatar qualquer sintoma novo”, orienta Ashkar.
Importante
Este texto de Serviço se baseia em orientações da farmácia clínica da UCLA Health e em estudos internacionais sobre o uso de medicamentos em pessoas idosas.
Ele não substitui a consulta médica. Se você perceber qualquer sintoma diferente depois de usar um remédio, procure o profissional que acompanha seu tratamento ou o serviço de saúde da sua região.

