O mapa da liberdade de imprensa divulgado por Repórteres Sem Fronteiras. Foto Crédito: RSF
O Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026, divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em 30 de abril de 2026 – às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio) –, registra o pior nível em 25 anos, com pontuações em queda em mais de 60% dos 180 países avaliados. Na introdução do relatório, a diretora editorial Anne Bocandé questiona: “Por quanto tempo ainda vamos tolerar o sufocamento do jornalismo, a obstrução sistemática dos jornalistas e a contínua erosão da liberdade de imprensa?”, alertando para ataques mais “diversos e sofisticados” por Estados autoritários, políticos cúmplices, atores econômicos e plataformas digitais. Nas Américas, a região perdeu 14 pontos desde 2022, com censura prévia, perseguições judiciais e violência predominando.
Destaque: Brasil e Exceções
O Brasil avançou 58 posições desde 2022, ocupando o 52º lugar, pela primeira vez à frente dos Estados Unidos (64ª), graças a normalização governo-mídia, Observatório de Violência contra Jornalistas e zero assassinatos desde 2022. O Uruguai (48ª) lidera América do Sul em proteção legal.
A Argentina, por sua vez, caiu para 98ª posição (-69 desde 2022), pior queda regional, devido ao fechamento da agência Telam por Milei, proibição de 60 jornalistas na Casa Rosada e retórica hostil (“argentinos não odeiam o suficiente os jornalistas”). Adepa e entidades criticam ruptura democrática e perda de transparência.
Já o Peru despencou para a 144ª (-67 desde 2022) com quatro jornalistas assassinados em 2025 por crime organizado e polarização política e processos judiciais abusivos instaurados contra profissionais da imprensa. Equador (-31), El Salvador (-74 desde 2019) e México (122ª) sofrem com “espiral de violência” por narcotráfico e repressão sob Bukele.
Ranking das Américas
| País | Posição 2026 | Variação desde 2022 | Pontos principais |
|---|---|---|---|
| Canadá | 20ª | Estável | Pluralidade forte |
| Uruguai | 48ª | + | Proteção legal |
| Brasil | 52ª | +58 | Instituições antiviolência |
| EUA | 64ª | -22 | Ataques Trump |
| Chile | 70ª | Queda | Polarização |
| Paraguai | 88ª | Queda | Judicialização |
| Argentina | 98ª | -69 | Fechamento mídia, proibições |
| México | 122ª | Queda | Narcotráfico |
| Peru | 144ª | -67 | Assassinatos 2025 |
| El Salvador | 143ª | -74 | Repressão Bukele |
| Venezuela | 160ª | Baixa | Controle estatal |
| Cuba | 165ª | Baixa | Censura |
| Nicarágua | 172ª | Baixa | Prisões |
Tempestade perfeita
Com base no relatório mundial, Bocandé e Artur Romeu, diretor da RSF para América Latina, destacam “tempestade perfeita” de desconfiança social fomentada por poderes políticos, exigindo visão coletiva da liberdade como direito do cidadão.
A RSF avalia o grau de liberdade de imprensa no mundo anualmente desde 2002 com base em cinco indicadores (político, legal, econômico, sociocultural e segurança), coletados via questionários de especialistas até abril de cada ano. O índice de 2026 cobre outubro/2025 a abril/2026, com escala de 0-100 (100 ideal). A divulgação em 30 de abril maximiza visibilidade pré-Dia Mundial da ONU, tradição para pressionar governos.

