Foto Crédito: Iqro Rinaldi/Usplash
Papa Leão XIV pediu no domingo, 16, que jornalistas mostrem a guerra a partir do sofrimento das pessoas atingidas pelos conflitos, e não como um espetáculo distante que lembra um videogame. Em encontro com profissionais da TV pública italiana Rai, no Vaticano, ele alertou para o risco de a informação virar propaganda em tempos de guerra e conclamou a imprensa a colocar as vítimas no centro da narrativa.
Dirigindo-se aos jornalistas do telejornal TG2, Leão XIV afirmou que o trabalho da imprensa é “mostrar o sofrimento que a guerra traz às populações” e “mostrar o rosto da guerra com os olhos das vítimas, para não transformá-la em videogame”. Para o Papa, imagens e relatos que estetizam bombas e estratégias militares, mas ocultam corpos, medos e perdas, desumanizam o conflito.
Tecnologia não substitui discernimento
Na saudação, o pontífice reconheceu o peso da tecnologia e da inteligência artificial na comunicação atual, mas enfatizou que essas ferramentas “não podem substituir o discernimento de quem informa nem a liberdade de pensamento de quem recebe a informação”. Segundo ele, algoritmos e filtros automáticos são apenas meios, enquanto a responsabilidade ética continua sendo de repórteres, editores e veículos.
Leão XIV também advertiu que, em contexto de guerra, cresce o risco de a informação ser usada como arma e de jornalistas se tornarem, mesmo sem querer, “megafones do poder”. Por isso, insistiu na necessidade de verificar versões oficiais, ouvir diferentes lados e preservar o pluralismo real de fontes e pontos de vista.
Ao final, o Papa agradeceu o trabalho de quem cobre conflitos, muitas vezes em condições de risco, e pediu que a imprensa mantenha “a coragem de incomodar” e de contar histórias que devolvam às vítimas da guerra a sua dignidade, nome e história, em vez de reduzi-las a números em um gráfico.

