A espaçonave Orion da NASA, com seus quatro astronautas a bordo, é vista sob paraquedas ao pousar no Oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia. A missão Artemis II da levou Wiseman, Glover, Koch e Hansen em uma jornada de quase 10 dias ao redor da Lua e de volta à Terra. O pouso na água aconteceu às 22h07 (horário de Brasília). Crédito da foto: (NASA/Joel Kowsky)
A espaçonave Orion da missão Artemis II amerissou no Oceano Pacífico às 22h07 desta sexta-feira, 10 (horário de Brasília), encerrando o primeiro voo tripulado à Lua em 53 anos, com reentrada direta a 40.230 km/h e resgate naval perto de San Diego. A missão coletou 175 GB de dados inéditos do lado oculto lunar, incluindo imagens geológicas e eclipse solar.
Lançado em 2017 como sucessor do Apollo, o Artemis planejou bases no Polo Sul lunar para 2024. Artemis I testou o SLS (Space Launch System) – foguete superpesado de 98m e 8,8 milhões de libras de empuxo, mais potente que o Saturn V – e a Orion em 2022, detectando erosão no escudo térmico que adiou voos humanos.
A tripulação – comandante Reid Wiseman (comandante), piloto Victor Glover (piloto), especialista Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (CSA, Agência Espacial Canadense) – decolou em 1º de abril de 2026 do Kennedy Space Center.
Sobrevoo histórico
A Orion atingiu 406.771 km da Terra (recorde sobre Apollo 13) e sobrevoou o lado oculto a 6.547 km, com blackout de 40 minutos. Coletou 175 GB (175 bilhões de bytes; cerca de 43 mil fotos de 4 MP ou 35 horas de vídeo HD a 5 Mbps) de dados: imagens da bacia Orientale, crateras com texturas rugosas, maria(*) lisos avermelhados e eclipse solar total.

Retorno e skip entry
Iniciado em 6 de abril por trajetória gravitacional livre, o retorno evitou “skip entry” (saltos na atmosfera para dissipar calor até 2.760°C) devido a danos no escudo. Amerissagem com paraquedas; tripulação extraída às 22h06 (horário de Brasília) para o navio Johnson Space Center.
Análises futuras
As imagens obtidas durante a missão calibrarão mapas de sondas como Chang’e-4, estudarão a bacia Orientale (965 km, 3,8 bilhões de anos), óxidos (ferro, titânio, alumínio) e riscos para Artemis III (prevista para 2028). O eclipse solar detalhará coroa solar; observações refinarão IA para radiação e bases lunares.

(*) Maria – planícies basálticas escuras (do latim “mares”), resultantes de fluxos de lava vulcânica antigos que preencheram grandes bacias de impacto. Apresentam superfícies lisas e onduladas, com tons cinza escuros a avermelhados, contrastando com os planaltos claros; na Artemis II, tons avermelhados inéditos indicam composições minerais variadas.

