Produção de cacau em sistema agroflorestal na Fazenda São Luiz, de José Celso Dias, pioneiro na reintrodução da cultura no Estado de São Paulo, sob orientação de Marcos Bernardes. O solo está completamente protegido pelas folhas do cacaueiro. Foto Crédito: Marcos Bernardes.
Especialista com mais de 50 anos de experiência em sistemas agroflorestais critica o modelo de megafazendas a pleno sol e defende uma cacauicultura baseada em sistemas agroflorestais, organização de produtores e redistribuição da margem do chocolate para quem está na roça
De acordo com analistas internacionais, o sonho brasileiro de virar potência do cacau em grandes fazendas irrigadas perdeu fôlego depois que o preço da amêndoa despencou cerca de 70% desde o pico de 2024, voltando à casa de 3 mil dólares por tonelada. Projetos de dezenas de milhares de hectares, muitos deles fora das áreas tradicionais e apoiados por grandes grupos globais, estão sendo revistos, enxugados ou simplesmente engavetados.
Para o agrônomo Marcos Bernardes, que atua há mais de cinco décadas com sistemas consorciados de culturas perenes tropicais, o problema é mais profundo. A pergunta “para onde caminha a cultura do cacau no Brasil?” não se responde olhando apenas para gráficos de preço, mas para a forma como o país planta, organiza a cadeia e distribui valor entre quem cultiva e quem transforma a amêndoa em chocolate.
Um passado de doença, preços e má gestão
Na região cacaueira da Bahia, a narrativa mais conhecida atribui o colapso da lavoura, no fim dos anos 1980, à chegada da vassoura‑de‑bruxa. Bernardes, que iniciou a carreira como engenheiro agrônomo da extensão rural em plena crise, discorda dessa explicação simplificada. Para ele, o fungo foi um agravante importante, mas não o vilão central.
O que destruiu a lavoura cacaueira baiana, sustenta, foi a combinação entre despejo predatório de preços – amêndoa vendida muito abaixo de um patamar minimamente remunerador – e péssima gestão financeira de produtores e cooperativas. A doença encontrou um sistema já fragilizado economicamente, endividado e pouco preparado para enfrentar choques de produtividade.
Esse olhar para o passado baiano é o ponto de partida da análise que ele faz sobre o presente: sempre que uma crise é explicada apenas por fatores agronômicos ou climáticos, corre‑se o risco de esconder a estrutura de preços, crédito e governança que define quem quebra e quem sobrevive.
O preço “anômalo” de 2024 e a volta à realidade
Nas contas do agrônomo, o que hoje parece colapso de mercado é apenas o retorno a uma normalidade historicamente desfavorável ao produtor. Durante quase cinco décadas, entre o início dos anos 1980 e 2007, a amêndoa de cacau permaneceu abaixo de 2 mil dólares por tonelada, subindo para uma faixa entre 2.500 e 3 mil dólares entre 2008 e o fim de 2023 – sempre corroída por inflação e custos crescentes. Em termos reais, isso significa perda de cerca de 10% por década no valor pago ao produtor.
O salto de preços de 2024, quando as cotações quadruplicaram em relação à média anterior e chegaram a ser seis vezes maiores que o padrão histórico, é tratado por analistas como reação a problemas climáticos e sanitários na África Ocidental, somados a quebras de safra e estoques apertados. Na avaliação de Bernardes, porém, essa explicação é insuficiente: a alta não se sustenta em análises robustas de oferta, demanda e estoques e reflete sobretudo movimentos especulativos alimentados pelo controle de grãos nas mãos de poucos compradores.
A queda atual, que leva investidores a cancelar projetos e “recalcular rota”, seria apenas o fim de uma ilusão: a de que um pico excepcional poderia se tornar regra de longo prazo num mercado que há décadas remunera mal quem está na base da cadeia.
A ilusão das fazendas industriais
No diagnóstico de analistas internacionais, a lógica é direta: com preços em baixa e demanda mais fraca, afetada por chocolates mais caros, mudanças de consumo e até remédios para emagrecimento, grandes fazendas de cacau irrigado deixarão de sair do papel ou serão drasticamente reduzidas. O Brasil perderia, assim, a chance de abocanhar uma fatia adicional da produção global e reduzir a dependência em relação à África Ocidental.
Bernardes concorda que esses projetos são vulneráveis – mas por razões que vão além do sobe‑e‑desce das bolsas. O cacaueiro, lembra, é uma planta de sub‑bosque, que realiza seu melhor desempenho sob sombra, alta umidade e temperatura estável. Décadas de experiência mostram que, à medida que se retira a sombra, é preciso compensar com mais adubação, mais água, mais controle de pragas e, portanto, mais custo por unidade produzida.
Ao migrar o cacau para algumas das regiões mais secas e ensolaradas do país, plantando a pleno sol com irrigação pesada, mudas caras e pacotes tecnológicos intensivos, os investidores apostaram que o preço seis vezes maior que o histórico seria o “novo normal”. Esse desenho, argumenta o agrônomo, já nascia estruturalmente frágil: dependente de uma combinação improvável de preços altos e custos crescentes, distante dos núcleos onde o cacau sempre prosperou com o apoio da floresta e com logística mais racional.
Excesso de cacau ou falta de justiça na cadeia?
Enquanto parte dos analistas lamenta a “oportunidade perdida” de expandir a oferta global a partir do Brasil, Bernardes sustenta que não há falta de cacau no mundo para atender à demanda atual. O que existe é uma assimetria gigantesca na distribuição de margens ao longo da cadeia.
Na ponta do chocolate, a indústria opera com margens que, segundo ele, podem chegar a cinco ou dez vezes o valor pago pela amêndoa. Na base, o produtor lida com custos crescentes, riscos climáticos e fitossanitários, crédito caro e pouca capacidade de armazenar e negociar a própria produção com calma. Em ciclos de alta, a indústria ganha menos, mas segue lucrativa; em ciclos de baixa, é o agricultor que fica com a conta.
Daí a proposta central do agrônomo para “reprogramar” o futuro do cacau brasileiro: deslocar o controle dos estoques e parte da transformação para mais perto dos produtores, encurtando a distância entre árvore e boca – “tree and bean to mouth”. Em vez de se contentar com o papel de fornecedor de matéria‑prima barata, o Brasil deveria apoiar o avanço dos agricultores em direção à armazenagem, à moagem e a sistemas de comercialização em rede, com compradores de porte semelhante ao seu.
Importações, concorrência e o falso inimigo
Os impactos da recente crise de preços, somados às importações de cacau africano, alimentam tensões em regiões tradicionais como o sul da Bahia, onde produtores brasileiros vêm protestando contra a entrada de grãos da Costa do Marfim. Nas ruas, a leitura corrente é de que o cacau estrangeiro seria o vilão que derruba o preço interno.
Bernardes, porém, faz outro enquadramento. Para ele, o produtor do outro lado do oceano está tão exposto quanto o brasileiro à volatilidade das cotações e ao poder de barganha da indústria concentrada. A rivalidade entre agricultores de países diferentes interessa justamente a quem compra barato e vende caro, não a quem vive do cultivo.
Nesse cenário, medidas protecionistas pontuais – como barreiras a importações – podem dar algum alívio momentâneo, mas não alteram a lógica profunda do mercado de amêndoas. Na visão do agrônomo, o caminho mais promissor passa por organização de produtores, cooperação internacional entre regiões cacaueiras e políticas focadas em fortalecer a posição de quem planta, e não apenas em defender mercados nacionais.
Encruzilhada tecnológica: pleno sol x agrofloresta

Agricultor desde os 5 anos de idade, Marcos Silveira Bernardes é engenheiro agrônomo, com especialização na Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, mestrado, doutorado em Fitotecnia e PhD em Análise de Sistemas Agrícolas. Foi professor associado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), onde lecionou, entre outros temas de agricultura tropical, cultura do cacau e sistemas agroflorestais. Aposentado, dedica-se integralmente à agricultura. Cultiva, seringueira, cacau, coco e diversas outras plantas em sistemas agroflorestais. É consultor de projetos agropecuários. Atua em programas de governo e iniciativas de movimentos sociais. Membro ativo da Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais há 30 anos. Foto Crédito: Arquivo pessoal.
A queda recente das cotações leva analistas globais a preverem um recuo significativo dos projetos industriais planejados para o Brasil, com cancelamento de até metade das áreas anunciadas. Essa retração é apresentada, em muitos relatórios, como freio à modernização e à competitividade do país na disputa pelo mercado mundial de cacau.
Bernardes rebate essa leitura ao propor outro conceito de modernidade. Em vez de grandes monocultivos a pleno sol, ancorados em irrigação intensiva e pacotes tecnológicos caros, ele defende a expansão de sistemas agroflorestais (SAFs), nos quais o cacau é consorciado com outras espécies arbóreas e lavouras complementares. Tudo isso combinado com tecnologia de ponta a preços acessíveis, uso eficiente da água e da energia no caso de irrigação e assim por diante.
As fotos que envia de sua própria fazenda ilustram essa opção: linhas de cacaueiros sob a copa de árvores maiores, solo protegido por folhas, ausência de solo exposto e uma sucessão de culturas que, ao longo dos anos, se revezam na recuperação de áreas degradadas. Na Bahia, ele conduz experimentos de SAFs em terras que passaram décadas degradadas, combinando cacau com seringueira, açaí e mais de uma dezena de outras espécies ao longo do tempo.
Em São Paulo, cita como exemplo o trabalho de reintrodução do cacau na Fazenda São Luiz, onde o sistema agroflorestal integra produção, conservação de solo e aumento da biodiversidade, em linha com iniciativas estaduais de usar o cacau como aliado no reflorestamento produtivo. Esses casos, argumenta, mostram que é possível produzir com lucro, regenerar a paisagem e reduzir riscos, sem depender de investimentos colossais e de preços permanentemente altos.
Produzir mais ou viver melhor?
Do ponto de vista de analistas internacionais, o recuo das grandes fazendas brasileiras representa um risco adicional para a segurança da oferta global, sobretudo diante da persistência de problemas estruturais nas lavouras de Gana e Costa do Marfim. Para o agrônomo, porém, o debate interno não deveria se limitar a perguntas sobre “recordes de produção” e “participação de mercado”.
Os programas de governo para o cacau, defende, precisam ser reorientados para dois objetivos principais: melhorar a vida do agricultor e garantir alimentos mais saudáveis aos consumidores. Nessa agenda, recordes de área plantada e de volume colhido são, no limite, estatísticas vazias se não vierem acompanhadas de renda estável, condições dignas de trabalho e conservação ambiental.
Isso exige, por um lado, políticas consistentes de assistência técnica e extensão rural, com equipes estáveis, presença de longo prazo no território e construção conjunta de conhecimento com os produtores. Por outro, requer instrumentos de crédito, compras públicas e regulação que favoreçam a agregação de valor no campo e o fortalecimento de cooperativas e redes de produtores.
Um futuro sob a sombra da floresta
Se o presente do cacau no Brasil é de incerteza – projetos industriais em xeque, preços deprimidos, disputas comerciais -, o futuro esboçado por Marcos Bernardes é o de uma cultura que volta a se reconciliar com sua origem florestal e com a escala humana do trabalho agrícola.
Em vez de apostar o destino da cacauicultura brasileira em algumas megafazendas altamente endividadas e dependentes de ciclos de alta, o agrônomo propõe um mosaico de sistemas agroflorestais, cooperativas fortes, pequenos e médios produtores com mais poder de decisão sobre o próprio produto. A competitividade, nesse desenho, não viria de um salto abrupto de volume, mas da combinação de qualidade, estabilidade, serviços ambientais e maior participação do produtor na renda gerada pelo chocolate.
Enquanto analistas internacionais contabilizam hectares não plantados e investimentos suspensos, Bernardes sugere outra medida de sucesso: quantos agricultores conseguem viver bem do cacau, quantas áreas degradadas se transformam em florestas produtivas, quantas comunidades passam a participar não só da lavoura, mas também da história que se conta em cada tablete. Reprogramar o futuro do cacau brasileiro, conclui, é colocar essa conta no centro das decisões públicas e privadas.
Se você é produtor, técnica(o) ou pesquisadora(o) de cacau e quer compartilhar dados, dúvidas ou experiências sobre esse cenário, escreva para a redação da Agência PáginaUm. Ou deixe seu comentário a seguir. Seu relato pode ajudar a aprofundar a cobertura sobre o futuro da cacauicultura brasileira.


Pessoas devem ser centrais na agricultura. Em especial num mundo cada vez mais urbano e mais distante da Natureza. As pessoas são capazes de cuidar, de manter. Nada pior para um país do que um campo esvaziado e sem significado. As relações humanas são por demais importantes e a desconexão com o meio gera uma perda cultural tremenda, a qual estamos vivenciando hoje.
Parabéns pela entrevista e a visão holística apresentada, cada vez mais rara.
O autor foi objetivo e preciso ao falar dos problemas e possíveis estratégias para encontrar soluções práticas para “salvar” os médios e pequenos produtores. Tem uma visão clara do que deveria ser feito.
Ótima matéria e considerações.
Aborda o tema com clareza e sob os principais problemas relacionados, fugindo do lugar comum.
Faz pensar na questão sob novos prismas.
Parabéns!
Excelente matéria. É preciso que se materializem as colocações do Bernades. Afinal, não existe sistema agroflorestal mais verdadeiro do que cacaueiros sob o bioma Mata Atlântica. Contudo, ele por si só não se sustenta. É preciso que a pesquisa, assistência técnica e cooperativismo estejam inseridos.
Excelente reflexão e muito oportuna para o momento da cacauicultura brasileira! Acredito que temos que avançar em “como fazer” no campo, pensando em ATER e em sistemas produtivos adaptados às realidades dos agricultores locais.
Parabéns, pelo teor da matéria. Ótimo timing para reabrir a discussão sobre o futuro do cacau e do chocolate no Brasil. Quem conhece os ciclos de preços dos comodities já imaginava, que a forte alta dos preços internacionais era um ponto fora da curva, durante algum tempo. Não digo, que não podemos ver outro ciclo de alta, mas…a cura de preços altos…são preços altos, e vice-versa: vale para preços baixos. Assim , tornando as atenções para o famoso “input-processamento-output”.
Sobre o plantio e manutenção do cacau no Brasil, o caro Marcos já se manifestou firmemente. Vindo de commodities como soja, milho e trigo, eu realmente não vislumbro o cacau como alternativa para plantio em grandes áreas no Centro-Oeste, onde diversos projetos novos de cacau calculavam com preços internacionais irreais, e -eventualmente – não combinam com o clima local, onde períodos de seca e extremo calor cada vez mais aparecem. Sem falar da logística de 2.000km até indústrias ou portos.
Agora, um outro ponto para discutir, a meu ver, seria: qual mercado de consumo o Brasil quer reconquistar ? O mercado de “produtos tipo chocolate” , a vala comum da indústria altamente competitiva ? Mantendo o cacau brasileiro como comodity qualquer, sem valor agregado ? Ou um mercado mais seletivo, de qualidade superior, que faça justiça ao cacau brasileiro, quando bem tratado? Saindo, assim, de indústrias grandes, e chegando – conforme mencionado por Marcos – com o processamento mais perto dos pequenos e médios produtores. Sei, que já estão em andamento, faz anos, diversas tentativas, produtores de chocolates artesanais, com apoio de diversas instituições e associações como “from bean to bar” etc.
Porém, falta o próximo passo: nas grandes lojas de consumo, por exemplo na Europa, se acha bastante oferta de chocolate artesanal, muitos da América Central, Caribe, Norte da América do Sul, alguns países da África…mas quase nada do Brasil. Falta divulgação do chocolate artesanal brasileiro. Se a produção de chocolate artesanal no Brasil somente vê o mercado e consumo nacional, não vamos a lugar nenhum e vamos continuar somente na condição de provedor de matéria prima para fora. A profissionalização do setor passa por uma internacionalização das Associações e dos pequenos e médios produtores de chocolate. Assim, temos mais chances de participar do grande valor agregado. E tornar o pequeno produtor mais saudável financeiramente, e disposto a cuidar bem do plantio e da manutenção da área plantada.
Novamente, parabéns pela matéria.
Sds
Carsten Wegener
Ponderações valiosas que merecem ser criteriosamente analisadas para uma eventual adoção.
Bons argumentos, gostei.
Mas devolva a minha camiseta.
Adorei a matéria e faz total sentido para mim, parabéns pela análise do Dr. Marcos. Como vivemos em um mundo de evolução em todos sentidos da palavra, creio fielmente repensar/ reprogramar o cultivo do cacau, principalmente no contesto da sustentabilidade sócio ambiental e econômica. Como diz o Dr. Malavolta a sobrevivência da humanidade está em 10 cm de terra, por isso a importância de multiplicarmos sistemas de consórcios entre cultivos sendo bem planejados, atingiremos resultados mais abrangentes beneficiando a cadeia toda e principalmente o ecossistema q/ é nosso maior patrimônio. Meu nome é Tercides Freitas, Técnico Agrícola a 20 anos servidor público e produtor rural a 18 anos. Estou na região do Vale do Ribeira, onde a fonte de renda principal é a banana e a segunda é a pupunha para palmito. Como produtor aceitei o desafio e introduzi recentemente o cacau no meio da minha pupunha buscando trabalhar o sistema de consórcio e acredito que fiz a escolha certa. E compartilho com todos a informação , de que a minha região, foi contemplada pelo INPI com a certificação da primeira Indicação Geográfica da Pupunha, sendo a única do mundo no seguimento palmito pupunha.
Caro Marcos Bernardes,
Parabenizo-o pelo excelente texto e pela lucidez com que aborda a realidade e os desafios da cadeia produtiva do cacau. Sua reflexão é extremamente oportuna e necessária neste momento em que o Brasil busca reposicionar-se estrategicamente no cenário agroindustrial.
É fundamental que compreendamos, de forma clara e urgente, que não podemos continuar atuando apenas como fornecedores de **amêndoas de cacau**, exportando matéria-prima enquanto grande parte do valor agregado é capturada por outros elos da cadeia produtiva no exterior. Essa lógica nos mantém presos ao modelo de **produção de commodities**, semelhante a um grande “fazendão” fornecedor de insumos para a indústria internacional, com baixo aproveitamento do potencial econômico e tecnológico que o setor poderia gerar internamente.
O cacau possui uma cadeia agroindustrial extremamente rica, que envolve etapas de beneficiamento, fermentação, secagem, torrefação, moagem e transformação em produtos de maior valor agregado, como chocolates finos, manteiga de cacau, liquor e diversos derivados. Ao investir no processamento e na industrialização dentro do país, ampliamos oportunidades de geração de renda, desenvolvimento regional, inovação tecnológica e fortalecimento da marca do cacau brasileiro nos mercados nacional e internacional.
Entretanto, para que esse avanço seja sustentável e competitivo, é igualmente indispensável manter **rigor técnico no manejo da cultura**, incluindo práticas adequadas de nutrição de plantas, manejo fitossanitário, condução das lavouras, colheita no ponto correto de maturação, além de cuidados criteriosos nas etapas de fermentação e secagem das amêndoas. A qualidade final do produto depende diretamente da integração entre **boa agronomia no campo e boas práticas de pós-colheita e processamento**.
Nesse contexto, reflexões como as apresentadas em seu texto contribuem de maneira significativa para estimular uma visão mais estratégica do setor cacaueiro brasileiro, incentivando produtores, técnicos e empreendedores a avançarem além da produção primária e a buscarem maior protagonismo na cadeia de valor.
Receba meus sinceros cumprimentos pela qualidade da análise e pela contribuição ao debate.
Um grande e saudoso abraço,
Henrique