Empreendimento reforça a infraestrutura de biometano do estado, que já concentra nove das dezenove plantas em operação do país. Foto Divulgação/Governo SP.
O estado de São Paulo inaugurou neste sábado (7), em Paulínia, uma planta de biometano com capacidade nominal de 225 mil m³ por dia, apontada como a maior do Brasil nesse segmento. O empreendimento, operado pela OneBio em um Ecoparque que substitui o antigo aterro sanitário, utiliza biogás gerado a partir de resíduos sólidos urbanos para produzir combustível renovável, com volume inicial de operação em torno de 50% da capacidade e previsão de atingir plena carga ao longo de 2026.
Segundo os dados oficiais, São Paulo concentra atualmente cerca de 700 mil m³/dia de capacidade de biometano, aproximadamente metade da capacidade instalada no país, com nove unidades em operação entre as 19 existentes no Brasil. Com a nova planta, o estado estima avançar em direção a uma capacidade superior a 800 mil m³/dia até dezembro de 2026, dentro de um potencial calculado em 6,4 milhões de m³/dia.
A unidade de Paulínia integra um complexo ambiental que funciona em substituição ao antigo aterro sanitário, em modelo de economia circular que transforma resíduos urbanos em energia renovável. A produção da OneBio será comercializada pela Edge, que detém 51% do empreendimento, em parceria com a Orizon Valorização de Resíduos, com 49%. A planta já está conectada à rede de gás canalizado e tem contratos para fornecimento de biometano à indústria, como o firmado com uma fábrica em Valinhos para descarbonização de processos e/ou frotas.
A nova instalação recebeu licença de operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produção e comercialização de biometano. No balanço divulgado junto com a inauguração, o governo informa que há outras oito plantas em fase de autorização pela ANP, o que, se concretizado, ampliará a oferta do combustível renovável no estado.
O biometano produzido a partir de resíduos urbanos e da atividade sucroenergética pode substituir o gás natural em usos industriais, ser fonte de energia em processos produtivos e abastecer frotas de veículos leves e pesados. Estudos citados pelo governo indicam que, no estado de São Paulo, o potencial de produção chega a 6,4 milhões de m³ por dia, com possibilidade de geração de até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, além de reduzir emissões em comparação ao uso de óleo diesel no transporte.
De acordo com esse levantamento, mais de 80% do potencial paulista de biometano está associado ao setor sucroenergético, que utiliza resíduos como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha para produzir biogás e biometano. Hoje, o combustível já é usado no estado como insumo na produção de fertilizantes, como fonte de energia em diferentes processos industriais e como combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros.

