Mulheres estão menos protegidas em cidades brasileiras com até 100 mil habitantes, diz pesquisadora. Foto Crédito: Wilson Felix dos Reis/Agência PáginaUm
Metade dos feminicídios no Brasil ocorre em municípios com até 100 mil habitantes, embora apenas 41% das brasileiras vivam nessas cidades, o que evidencia um risco desproporcional para mulheres em áreas de pequeno porte. Em debate na Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher nesta quarta-feira (11), a pesquisadora Juliana Brandão, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e a presidente da comissão, deputada Luizianne Lins (PT-CE), apontaram que a fragilidade da rede de proteção nesses municípios ajuda a explicar o cenário.
Segundo Brandão, os municípios menores registram, proporcionalmente, mais casos de feminicídio e contam com menos serviços especializados, como delegacias da mulher e centros de acolhimento. Luizianne Lins citou dados que indicam que 50% dos feminicídios acontecem em cidades com até 100 mil habitantes e exemplificou com o Ceará, onde grande parte dos 47 feminicídios registrados no último ano ocorreu em localidades sem estrutura especializada de atendimento. “Quando existe minimamente uma estrutura, onde a mulher tem para onde pedir ajuda, vemos a redução da violência”, afirmou a parlamentar.
A audiência pública discutiu os dados mais recentes sobre violência contra a mulher e a aplicação da Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015). A representante do Observatório da Mulher do Senado, Maria Teresa Prado, rebateu críticas à eficácia das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, alertando que o descrédito pode afastar vítimas dos mecanismos legais de proteção. De acordo com ela, 84% das brasileiras sabem pouco ou nada sobre medidas protetivas, o que dificulta seu uso.
Dados de 16 estados analisados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que apenas 13,1% das vítimas de feminicídio tinham medida protetiva em vigor no momento do crime. Prado citou ainda estudo do Ministério Público do Distrito Federal sobre feminicídios entre 2015 e 2025 que não registrou nenhum caso envolvendo mulheres acompanhadas por programas de monitoramento em Brasília. “Isso mostra que a articulação pode salvar vidas”, concluiu.


