Foto crédito: Ian Dooley/Unsplash.
Artigo no The Conversation explica como o cérebro armazena informações e sugere dicas simples, baseadas na neurociência, para memorizar com mais eficiência
Elva Arulchelvan, uma pesquisadora do Trinity College Dublin reuniu cinco estratégias práticas para ajudar o cérebro a reter informações com mais eficiência. Em artigo recentemente publicado, a doutoranda em psicologia e neurociência pela mais antiga e prestigiada universidade da Irlanda explica que a memória funciona em etapas distintas e que pequenas mudanças de hábito podem fazer diferença tanto nos estudos quanto no trabalho.
De forma simplificada, a especialista divide a memória em três fases: a sensorial, que registra por instantes imagens, sons e outras percepções; a de trabalho, usada para manipular informações por alguns segundos; e a de longo prazo, onde ficam fatos, eventos, habilidades e hábitos. Para ela, lembrar melhor não depende apenas de capacidade intelectual, mas também de método.
Celular longe dos olhos
A primeira orientação é manter o celular longe nos momentos que exigem atenção. Segundo a pesquisadora, mesmo que a tela esteja virada para baixo e no silencioso, o aparelho continua disputando espaço com o foco mental.
Na prática, isso significa deixá-lo em outro cômodo durante a leitura, o estudo ou a realização de tarefas mais complexas. Quando o telefone sai de cena, a concentração tende a ficar mais estável.
Menos ruído mental
Ansiedade, preocupação e excesso de pensamentos também ocupam a memória de trabalho. Quando a mente está sobrecarregada, sobra menos espaço para reter e organizar novas informações.
Por isso, a especialista recomenda práticas de relaxamento e respiração. Uma das sugestões é o chamado “suspiro cíclico”: inspirar fundo pelo nariz, repetir uma segunda inspiração curta e soltar o ar lentamente pela boca. Alguns minutos bastam para ajudar a reduzir a tensão e favorecer o aprendizado.
Dividir para lembrar melhor
Entre as técnicas mais eficazes citadas por Arulchelvan está o chunking, ou agrupamento. A ideia é simples: em vez de tentar guardar uma sequência longa de dados de uma só vez, o cérebro trabalha melhor quando essa informação é dividida em blocos menores e com significado.
É mais fácil memorizar um número de telefone quando ele é separado em partes, por exemplo. O que antes parecia uma sequência extensa de números se transforma em pequenos conjuntos mais fáceis de recordar.
Esse recurso também pode ser aplicado em estudos, apresentações e rotinas de trabalho. Para entender melhor:
- Uma lista de 12 assuntos pode ser organizada em três blocos: contexto, desenvolvimento e conclusão.
- Um conteúdo sobre saúde pode ser dividido em sintomas, causas, tratamento e prevenção.
- Uma apresentação com vários casos pode ser reunida em quatro temas centrais, cada um com uma ideia principal.
- Na história, capítulos extensos podem ser agrupados por períodos, como colônia, império, república e atualidade.
Esse tipo de organização reduz a carga mental e torna a informação mais fácil de acessar depois.
Testar vale mais que reler
A pesquisadora também destaca a importância do que chama de recuperação ativa. Em vez de apenas reler anotações, vale tentar lembrar o conteúdo sem consultar o material o tempo todo. Isso pode ser feito com perguntas, cartões de revisão ou explicando o tema em voz alta.
Quando a pessoa tenta resgatar a informação da memória, o cérebro fortalece as conexões associadas ao conteúdo.
Revisar por partes
A quinta dica é espaçar os estudos ao longo do tempo. Segundo a especialista, revisar tudo de uma vez costuma ser menos eficiente do que distribuir as sessões em blocos separados por pausas.
Esse intervalo ajuda o cérebro a consolidar melhor o que foi aprendido. Em vez de concentrar horas seguidas em um único momento, a recomendação é organizar revisões ao longo dos dias.
Memória exige estratégia
Ao reunir essas orientações, Arulchelvan reforça uma ideia central: memorizar melhor é, sobretudo, uma questão de estratégia. Pequenos ajustes na forma de estudar, trabalhar e organizar a atenção podem ter impacto real na qualidade da retenção.

