Foto Crédito: Juan Manuel Sanchez/Unsplash
Esta notícia traz esperança para quem vive sob a ameaça constante de enchentes. Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo, campus São Carlos, estão desenvolvendo um método simples e barato que mede o nível da água em rios e reservatórios em tempo real, prevendo inundações e ajudando cidades a agirem rápido.
Imagine um “olho” invisível capaz de medir a distância até a superfície da água sem tocar nela. Esse “olho” é um sensor infravermelho – ele manda uma luz especial e calcula o quanto o nível subiu ou desceu. É barato e preciso. Mas, em rios reais, com sujeira, turbulência ou mudanças de temperatura, os dados que ele manda saem bagunçados, como um rádio com chiado.
É aí que entra a ajuda da inteligência artificial, funcionando como um filtro esperto: os dados do rio vão para um servidor na nuvem, onde um programa de aprendizado de máquina (um tipo de IA que aprende sozinha com exemplos, como um aluno que corrige erros sozinho) “limpa” o ruído automaticamente. Angelo Foletto, mestrando em Internet das Coisas no ICMC, resume: “É como unir um sensor bom e acessível a um sistema que corrige tudo com IA, entregando o nível real da água”.
Testes que provam o potencial
O time testou o sensor em canais artificiais no Laboratório de Hidráulica da USP São Carlos, simulando rios de verdade durante a pandemia. Descobriram algo importante: águas turvas, cheias de lama como nas nossas enchentes, refletem melhor a luz do sensor, tornando as medições ainda mais confiáveis.
A inspiração veio da Europa: na Alemanha e Holanda, câmeras de rua são “recicladas” para vigiar canais com IA, medindo níveis sem esforço extra. “Por que não fazer isso aqui?”, pensou Foletto, adaptando para nossos desafios brasileiros.
Próximos passos contra o caos das cheias
Hoje, o método está no estágio TRL4 – validado em laboratório, quase pronto para testes reais no campo. Com conexões redundantes (várias formas de enviar dados, para não falhar), ele pode alertar prefeituras sobre cheias iminentes, abrindo comportas de reservatórios ou evacuando bairros a tempo. “Onde precisamos medir sem invadir, aplicamos sem problema”, garante Foletto. Para milhões sob risco de alagamentos, essa pode ser a ferramenta que salva vidas e lares.

