O layout externo dos novos trens foi inspirado na paisagem urbana contemporânea de São Paulo. Foto Crédito: Divulgação GovSP
O Governo de São Paulo informa ter encomendado 44 novos trens para o Metrô, ao custo de R$ 3,1 bilhões, mas eles ainda estão na fase de projeto na China, etapa em que se define o desenho externo e interno antes de qualquer vagão sair da linha de produção. A fabricação mesmo será em Araraquara, no interior do estado, e o contrato prevê até 60 meses para a entrega de todas as composições, o que significa que o passageiro apertado nos horários de pico não verá mudança imediata na lotação.
Os novos trens serão usados principalmente na expansão da Linha 2-Verde, que está em obras para chegar à Penha e, em seguida, a Guarulhos, e também para reforçar as lotadas linhas 1-Azul e 3-Vermelha. A ideia é aumentar a oferta de viagens e reduzir a superlotação, mas isso só deve acontecer à medida que as obras avançarem e as novas composições forem entregues e testadas.
No papel, a experiência promete ser bem diferente da realidade de hoje: trens com capacidade para cerca de 1.800 pessoas, portas mais largas, passagem livre entre os carros, ar-condicionado que se ajusta automaticamente e entradas USB para recarga de celulares. O interior terá iluminação em LED, bancos azuis (com destaque para os preferenciais), barras e alças distribuídas pelo salão e painéis eletrônicos de informação, em um ambiente pensado para deixar a viagem menos cansativa.
Do lado da tecnologia, os trens virão preparados para operar de forma totalmente automatizada, com câmeras de alta definição, comunicação direta com o Centro de Controle Operacional e sistemas de frenagem elétrica que economizam energia.
Para quem hoje enfrenta vagões cheios, empurra-empurra e atraso, a mensagem é clara: algum alívio deve vir com esses 44 trens, mas entre o anúncio e o espaço sobrando dentro do carro há um caminho de obras, fábrica e testes que leva tempo.
A cautela não é à toa: o metrô paulistano acumula atrasos em várias frentes. A expansão da própria Linha 2-Verde já chegou a estar cerca de sete anos atrasada em relação à previsão original, e projetos como a Linha 17-Ouro caminharam mais de uma década até sair do papel. Esse histórico ajuda a explicar por que parte dos usuários vê anúncios de novos trens com esperança, mas também com o pé atrás.

