Foto Crédito: Erik Mclean/Unsplash
Denúncia do MPRJ foi aceita em 12 de agosto; investigação aponta que grupo usava ofertas de veículos e imóveis para atrair vítimas
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou, na quarta-feira (12), a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra 26 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que usava falsos anúncios de veículos e imóveis para atrair vítimas e praticar extorsões, roubos, estelionatos e lavagem de dinheiro. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (13).
O processo tramita na 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital. Segundo a denúncia, o grupo seria articulado por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e teria atuado entre 2022 e 2024 em municípios da Baixada Fluminense, especialmente Belford Roxo, e também em Cubatão, no litoral de São Paulo.
Os acusados passaram a responder a uma ação penal, mas ainda não foram condenados. A denúncia foi recebida pela Justiça com base nos elementos apresentados pelo Ministério Público, e os réus terão direito à defesa.
Como as vítimas eram atraídas
De acordo com a investigação, os acusados publicavam ofertas falsas de veículos no marketplace do Facebook e no site OLX. As vítimas acreditavam estar negociando a compra de um automóvel e eram convencidas a comparecer a locais indicados pelos criminosos.
Segundo a denúncia, ao chegarem ao destino, algumas eram surpreendidas por integrantes armados do grupo, submetidas a ameaças e obrigadas a entregar pertences e realizar transferências bancárias.
A organização também teria utilizado anúncios falsos de aluguel e venda de imóveis. Nesses casos, as vítimas faziam pagamentos para garantir a negociação e depois deixavam de receber respostas dos supostos anunciantes.
Falso intermediário
O caso exige cuidado com uma modalidade de fraude conhecida como golpe do falso intermediário.
Nessa prática, o criminoso copia um anúncio verdadeiro e cria uma oferta falsa, geralmente com preço atraente. Depois, passa a controlar a comunicação entre o comprador e o proprietário legítimo do veículo.
O comprador pode até ser levado a conhecer o verdadeiro dono e examinar o carro. Isso, porém, não garante que a negociação seja segura. O fraudador pode orientar as conversas, pedir que comprador e proprietário não discutam diretamente o preço e indicar uma conta bancária que não pertence ao vendedor.
Assim, o encontro presencial com o dono do veículo não é suficiente para comprovar a legitimidade da transação. O comprador e o proprietário precisam confirmar diretamente o valor, as condições da venda e o destinatário do pagamento.
A Polícia Civil do Paraná alerta que o criminoso pode copiar um anúncio real, criar outro com seus próprios contatos e tentar impedir que comprador e vendedor conversem sobre a negociação.
O Detran de Tocantins também explica que o fraudador pode usar o nome ou o telefone do proprietário verdadeiro. Por isso, o fato de o comprador ter contato com o dono do veículo não elimina o risco de fraude.
Prisões preventivas
Na decisão, o juiz Alexandre Abrahão decretou a prisão preventiva de Íris Maurício da Silva Almeida e Vilmara de Morais. Segundo a decisão, os dois ocupavam posições de destaque na estrutura da organização.
Os demais réus deverão cumprir medidas cautelares diferentes da prisão. Entre elas estão o comparecimento periódico ao cartório ou ao juízo da cidade onde moram e a proibição de manter contato com testemunhas, corréus e familiares deles.
A investigação teve início em 2022, e os crimes descritos na denúncia teriam ocorrido até 2024. Em junho de 2023, uma operação relacionada ao grupo levou à prisão de suspeitos investigados por roubos, sequestros-relâmpago e extorsões mediante sequestro.
Como se proteger
Órgãos públicos recomendam que compradores e vendedores adotem medidas de segurança antes de concluir qualquer negociação:
- Não confie apenas no contato presencial com o proprietário do veículo.
- Confirme diretamente com ele o preço, as condições da venda e os dados do pagamento.
- Verifique se o proprietário é a mesma pessoa identificada nos documentos do veículo.
- Confira se a conta que receberá o dinheiro pertence ao vendedor legítimo.
- Não aceite que um intermediário controle sozinho a comunicação entre as partes.
- Desconfie de pedidos para que comprador e vendedor não conversem sobre valores.
- Não faça pagamentos antecipados para contas de terceiros.
- Desconfie de ofertas muito abaixo do preço de mercado.
- Consulte os documentos do veículo e, se possível, faça uma vistoria independente.
- Mantenha registros do anúncio, das conversas, dos documentos e dos comprovantes.
A recomendação vale também para quem está vendendo um veículo. O proprietário deve confirmar quem é o comprador, saber exatamente qual valor será negociado e acompanhar diretamente qualquer pagamento relacionado à venda.
Em caso de suspeita
Se houver dúvida sobre a negociação, o comprador ou o vendedor deve interromper o contato e não realizar transferências. Links, anúncios, conversas, números de telefone, dados bancários e comprovantes devem ser preservados.
Em caso de pagamento ou tentativa de fraude, é importante procurar imediatamente o banco para verificar a possibilidade de bloqueio da transação e registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil.
A Polícia Civil do Paraná orienta que as vítimas reúnam capturas de tela, links, comprovantes e demais registros da negociação ao fazer a denúncia.
O principal alerta é que ver o veículo e falar com o proprietário não basta. A negociação deve ser confirmada diretamente entre as partes, sem que um intermediário desconhecido controle o preço, as informações ou o destino do dinheiro.

