Um eclipse solar total é observado em San Millán de los Caballeros, na Espanha, nesta quarta-feira (12). Crédito: NASA/Bill Ingalls.
Fenômeno cruzou Groenlândia, Islândia e norte da Espanha nesta quarta-feira (12), coincidindo com a chuva de meteoros Perseidas e reunindo multidões de observadores
Da Redação
Milhares de pessoas nos hemisférios Norte pararam para olhar para o céu nesta quarta-feira (12) para acompanhar o primeiro eclipse solar total a cruzar o continente europeu desde agosto de 1999 – um intervalo de 27 anos sem que o fenômeno fosse visível na região. A sombra da Lua percorreu um trajeto estreito que começou sobre uma área remota da Sibéria, na Rússia, atravessou o leste da Groenlândia, seguiu pela costa oeste da Islândia e terminou sobre o norte da Espanha, incluindo uma pequena porção do território português. Fora dessa faixa de totalidade, um eclipse parcial pôde ser observado em parte do norte dos Estados Unidos, na maior parte do Canadá, em boa parte da Europa e no noroeste da África.
Um eclipse ao entardecer
Uma das particularidades desse eclipse foi o horário em que ele ocorreu para quem estava na Espanha e em Portugal: por causa da posição geográfica dessas regiões na extremidade ocidental do trajeto da sombra lunar, o céu escureceu completamente apenas no fim da tarde, pouco antes do pôr do sol – criando a rara combinação de um eclipse total com tons de entardecer, como capturado na foto do fotógrafo Bill Ingalls, da Nasa, feita na localidade de San Millán de los Caballeros, na província de León.
Já para quem observava da Islândia, o fenômeno ocorreu no início da noite, enquanto na remota região da Sibéria russa a totalidade aconteceu por volta da meia-noite local – um horário incomum que se explica pelo fato de o Sol praticamente não se pôr no verão ártico. O ponto de maior duração da totalidade, com pouco mais de dois minutos, ficou concentrado nas proximidades da península de Snæfellsnes, no oeste da Islândia.
Bônus no céu: a chuva de meteoros Perseidas
O eclipse deste ano teve um atrativo extra para os observadores: a data coincidiu com o pico da chuva de meteoros Perseidas, um dos eventos astronômicos mais aguardados do ano, permitindo que, durante os poucos minutos de escuridão total, fosse possível notar também o rastro de estrelas cadentes no céu – uma combinação rara entre dois fenômenos astronômicos que normalmente não se sobrepõem.
Multidões viajam para acompanhar o fenômeno
Cidades da Espanha e da Islândia posicionadas na faixa de totalidade se tornaram destino de viagem para milhões de entusiastas de astronomia vindos de diferentes partes do mundo, gerando aumento expressivo de tráfego em estradas e lotação em parques e mirantes nos horários que antecederam o fenômeno – um padrão recorrente em grandes eclipses solares totais, que costumam impulsionar o turismo local nas regiões por onde passam.
O último eclipse solar total de grande visibilidade havia ocorrido em abril de 2024, atravessando o território da América do Norte. Depois do eclipse desta quarta-feira, a Europa deve esperar novamente por décadas até que um fenômeno do tipo volte a ser visível a partir do continente.
Com informações da Nasa e do National Geographic.

